Mais um glossário imperdível
O frigorífico Marfrig disponibiliza em seu site um glossário com o nome dos cortes cárneos brasileiros em vários países, incluindo a China.
Vai lá: http://www.marfrig.com.br/marfrig/content/view/full/196
Algumas coisas sobre churrascos, churrasqueiros e churrasqueiras, sem verdades absolutas e, claro, com humor.
O frigorífico Marfrig disponibiliza em seu site um glossário com o nome dos cortes cárneos brasileiros em vários países, incluindo a China.
Vai lá: http://www.marfrig.com.br/marfrig/content/view/full/196
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Ricardo
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26.5.09
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Marcadores: Cortes, Informação, Utilidade Publica
Três esclarecimentos prévios: Não, não enlouqueci. A foto que ilustra o post não é um engano. E o assunto, juro, é carne bovina, não um pequeno tratado de pornografia ou, no caso, de “porno-churrasco”.
Explico:
Ao cair na asneira de retirar o filé-mignon do armário, por obra e graça de dona Etimologia, entrei foi pelo cano! A velha senhora não largou mais do meu pé, cada vez mais oferecida, cheia de intimidades e provocações.
Tava eu quietinho no meu canto, relendo um livro e saboreando um cubano, presente de um cliente amigo, quando um sussurro suspirado e carregado nos “esses” invadiu meu ouvido...
Ceguinho, tenho uma surpresinha deliciosa para você, querido...
Por esta luz que me alumia, me arrepiei até nas unhas.
Dona Etimologia, pelamordedeus, assim a senhora me mata!
Ficou arrepiadinho, ficou, bobinho?
Menos, dona Etimologia, menos, retruquei irritadíssimo. Desembucha logo, vai.
Isso é jeito de se falar com uma dama, Ceguinho? Desculpe, mas a senhora conseguiu me irritar. Fala logo, que surpresa é essa porque o leitor não tem tempo e paciência para essas bobagens.
Apaga este charuto fedorento, que eu conto... Nem a pau, deixa meu charuto em paz!
Após um sorrisinho malévolo, ela mandou a bomba:
Ceguinho, você gosta de geba?
Só não engoli o charuto por milagre. E também porque não fica bem um homem da minha idade engolir charutos.
Isso lá é pergunta que se faça, dona... dona... minha senhora?
Implacável, ela mandou outra:
E de mamilo, cê gosta?
Dona Etimologia, dê-se ao respeito! A senhora pirou?
Não, misifio, quem pirou foi você, com sua mente suja, velho assanhado!
Velho assanhado, eu? Ora ora, a senhora chega do nada, sopra no meu ouvido, me fazendo arrepiar até a alma e ainda pergunta se eu gosto de geba e de mamilo e eu que sou o assanhado?
Com a impassibilidade dos sábios, ela continuou, sem responder.
A propósito, Ceguinho, como é que você escreveria essa “geba”, meu filho? Não entendi: descrever ou escrever? Escrever, grafar, idiota. Sei exatamente o que você descreveria, seu nojento!
Sei lá, com “g”, eu acho... E a otoérpia? Ora, como a senhora pronunciou, com o “e” aberto.
Ainda bem, Ceguinho, ainda bem! Em parte, você está certo. Só em parte.
Por quê?
Foi só uma pegadinha para churrasqueiro nenhum botar defeito, principalmente os pretensiosos, como você.. Na verdade queria saber se você gosta de g|ê|ba, com a tônica no “e”. Meti o “e” aberto por pura provocação. Vamos ao pai-dos-burros, tolinho?
Fui, porque ela, num átimo, já estava lá.
Mais uma vez, dona Etimologia, tinha razão.
Diz o Houaiss:
Geba vem do latim “gibba”, ainda existe na variação “giba” , e querem significar:
“Geba - corcova nas costas, peito ou dorso de homem ou animal; bossa, giba”
“Giba -saliência convexa nas costas, peito ou dorso de homem ou animal; bossa, corcova, geba”
E mamilo?
Além do significado anatômico óbvio, mamilo também significa:
“Mamilo (2) - colina cujo cimo é pontiagudo; outeiro, colina; pequena protuberância na pele de alguns animais”
Agora, dê uma olhada na foto ilustrativa lá em cima.
São cupinzeiros.
A forma da casa dos famigerados bichinhos lembra um seio feminino, mas também uma colina, uma corcova e, claro, mamilos.
Agora, vamos ao que o mestre do léxico nos diz sobre “cupim”, em dois verbetes:
“4 Rubrica: zootecnia. Regionalismo: Brasil. giba, corcova no dorso dos touros, esp. dos zebus
5 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: alimentação. Regionalismo: Brasil. carne correspondente a essa giba, muito apreciada e macia mas de segunda, com fibras de gordura entremeadas”
Só não concordo com o mestre que, senão me engano, era um gourmand, sobre o “carne de segunda”, uma impropriedade digna de outro post.
Mas o fato é que o a forma do cupinzeiro deu a inspiração para que o corte cárneo correspondente à corcova do gado de origem zebuína fosse chamada de “cupim”, fazendo cair em desuso as palavras geba e giba.
E fica a pergunta: Ora bolas, por quê, então, não ficou “cupinzeiro”?
Regras de economia alcançam também as Línguas.
Entre uma palavra e outra, algo me diz que cupim é mais econômico e bonitinho. Mas isto é apenas uma conjectura. Não sou um especialista.
Entre aliviado e surpreso, evoquei novamente a velha senhora.
Dona Etimologia, só falta explicar uma coisa...
Sim, Ceguinho, eu sei, eu sei... Este é mais um caso divertido de paronímia, meu garoto. Lembra? Lembro.
E também um caso explícito de tabuísmo horroroso e impublicável. Você não vai escrever o parônimo aqui, vai?
Não, não sou louco, isto aqui é uma casa de respeito, tratamos apenas de churrascos.
Nem uma pista, Ceguinho? Dona Etimologia, num provoca…
Pôxa, Ceguinho, dá um jeito de faze-lo sem chocar, o povo quer saber...
Não, dona Etimologia, num escrevo nem que a vaca tussa!
Vai, Ceguinho...
Dona enjoada, só vou dizer uma coisa: Quem gosta de geba com g, não dispensa um mamilo.
Valeu, Ceguinho, para bom entendedor qualquer pingo é letra. Assim que puder, e quiser, venho fazer outra visitinha…
Então venha menos assanhada, minha senhora.
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Ricardo
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27.4.09
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Sou um fidelíssimo devoto de “São” Saramago, um desses raros santos que surgem expontaneamente, à margem de denominações, e trazem consigo uma doce imperfeição: são santos sem milagres, e tão despretenciosos que seu culto prescinde de dogmas.
Melhor, a eles é refratário.
Daí a generosa possibilidade de uma devoção livre de amarras litúrgicas, de cãnones, senão de qualquer outra coisa mais simples, que carregue em si apenas um pouco de racionalidade, este tesouro abundante que a maioria de nós, humanos, por dificuldade no uso, encara como um fardo pesado. Exige também um tipo específico de amor à Humanidade: aquele sem intermediários, sem pontes, essencialmente humano.
Como se vê, um devotamento tão simples como um churrasco.
Há quem ame churrascos e não goste de literatura. Também, quem ame a ambos. Não discriminamos ninguém. Mas um espírito bem alimentado, convenhamos, não é coisa que se despreze.
Há também quem diga que ninguém sai impune de um bom churrasco. Come-se demasiado. Culpa. Mas uma culpa gostosa, satisfativa.
A mesma coisa com Saramago: jamais saímos impunes dos seus livros, da sua literatura, da sua visceral humanidade. Das suas passarolas. Sentimo-nos tanto deliciosamente culpados quanto purgados. Melhores. E não é milagre, acredite.
Em seu blogue “O caderno de Saramago”, nos dá uma pista para que se compreenda como ele, escritor, se contruíu, se constrói e reconstrói.
Abril 8, 2009 by José Saramago
Isto a que chamam o meu estilo assenta na grande admiração e respeito que tenho pela língua que foi falada em Portugal nos séculos XVI e XVII. Abrimos os Sermões do Padre António Vieira e verificamos que há em tudo o que escreveu uma língua cheia de sabor e de ritmo, como se isso não fosse exterior à língua, mas lhe fosse intrínseco.
Nós não sabemos ao certo como se falava na época, mas sabemos como se escrevia. A língua então era um fluxo ininterrupto. Admitindo que possamos compará-la a um rio, sentimos que é como uma grande massa de água que desliza com peso, com brilho, com ritmo, mesmo que, por vezes, o seu curso seja interrompido por cataratas.
Chegam dias de férias, uma boa ocasião para entrar nesta água, nesta língua escrita pelo Padre Vieira. Não aconselho nada a ninguém, mas digo que vou mergulhar na melhor prosa e vou desaparecer estes dias. Alguém quer acompanhar-me?”
Se você estiver em férias, acompanhe-o.
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14.4.09
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Conselho aos leitores mais conservadores: este post, quilométrico, cuida de assunto polêmico-apimentado. Para alguns ou muitos, conterá sensualidade excessiva ou imoralidade explícita. Como não quero ferir suscetibilidades nem deixar ninguém danado-da-vida, por favor: não leia!
(É o mesmo que dizer: leia, leia, leia! Sou mais canalha do que mereço, e pareço.)
Por desconto, reafirmo que, apesar de rematado canalha, sou apenas um velho churrasqueiro meio fantasioso, não um especialista em elucubrações eróticas.
Mas que a coisa faz sentido, faz.
A maluquice começa com um leitor do blog, Guilherme Weber, um churrasqueiro catarinense que mora na Holanda e presta serviços de consultoria para churrascarias daquele simpático e florido país. Queria ajuda para solucionar um problema que enfrenta no dia-a-dia: explicar aos clientes a origem do nome dos cortes brasileiros, como o “cupim”, por exemplo.
Como a minha curiosidade nada mais é do que um faro miserável para arranjar encrenca, fui além: mais que pesquisar a origem do nome dealguns cortes brasileiros, razão bacana para outros posts, corri atrás do mais universal de todos: o filé-mignon.
Por quê “filé” e porquê “mignon”?
Bem, como toda velha senhora de respeito, generosa, um tanto sisuda, mas jeitosinha, misteriosa e cheia de surpresas, dona Etimologia apareceu para ajudar.
E foi a distinta que, inobstante seus célebres recato e frieza conceitual - coisas da Academia - me deu a notícia num tom bem coloquial, quase entusiasmado. Não fosse o susto com a revelação, poderia jurar que a voz grave e ainda aveludada da velha-senhora-jeitosinha carregava discretos indícios de êxtase e languidez.
Ou ironia.
Ceguinho, Ceguinho, meu filho,…o filé-mignon é gay!
Quêquéilso, dona Etimologia? Até a senhora?
Isso mesmo, caro Ceguinho: gayzinho-da-silva-de-oliveira-quatro, com direito a certidão de nascimento, exame de DNA, pensão alimentícia e o escambau! Gay-zís-si-mo!
Deixadilso, dona Etimologia. Pra cima de moi? Quer me arranjar problemas com a comunidade mais “alegre” do planeta?
Ceguinhoooô, por quê as aspas? Num vai me dizer que você é homofóbico? Eu, não, dona Etimologia. Quê que tenho com a vida das outras pessoas? Muita coisa, churrasqueirozinho de meia-tigela. Me diz uma coisa, você já foi numa Parada Gay? Fui, não, dona, tô sempre trabalhando. Bela desculpa, hein, meu filho? Né, não! Minha filha e minha mulher já foram e se divertiram muito! Menos mal, menos mal. Isso demonstra, pelo menos, que você é simpático à causa.
Eu? À causa?
É, Ceguinho, o “s” do GLBTS. À causa gay! Tá bom, dona Etimologia, posso até me incluir entre os simpatizantes, só não me considere um vestibulando, pelamordedeus!? Ceguinho, você não presta. Eu sei, mas o que tenho a ver eu com o estado d’alma, com a identidade sexual das pessoas? Ser feliz aqui é o que importa. É um direito da Humanidade, de qualquer cor, de qualquer gênero. Não acredito nessa coisa de “contas a pagar” depois que o Zé-Maria nos leva para passear no etéreo. Maniqueísmos me aborrecem.
Meldelz, Ceguinho, cê é ateu?
Peraê, dona Etimologia, vamos deixar minhas convicções de lado e partir para o que interessa? A senhora acha que meu poucos e pacientes leitores têm tempo para digressões personalistas? Desculpe, Ceguinho, é que sempre me empolgo, ainda mais provocada por você. Apenas um último conselho: na próxima Parada, dá um tempo no trabalho e leva uma faixa bem grande: “O filé-mignon é gay”. Cê vai fazer o maior sucesso. Business is business...mon cher (hoje eu tô poliglota, queridinho, e nada ortodoxa!). Cê vai arranjar clientes a dar-com-o-pau. Calma, dona Etimologia, certas expressões, em certos contextos, bem o sabe a senhora, não caem bem. Meu filho, tô velha demais para certos preciosismos. E não morri. Comigo, ajoelhou, tem que rezar!
O pior é Dona Etimologia parece ter razão.
Não quanto à idéia de eu levar a tal faixa (isto, nunquinha), mas ao seu conteúdo. E o único sucesso que consigo vislumbrar para mim, velho, encarquilhado e barrigudo carregando uma faixa numa Parada Gay, é o de ser chamado, no mínimo, de “tia” pelos alegres rapazes e moças. Tô fora!
Ao que interessa.
Interessa mesmo? Sei lá.., mas que é curioso, é.
Pois bem, pesquisei primeiro “mignon”.
E num vou simplesmente copiar os verbetes consultados, prefiro correr o risco da interpretação (livrezérrima...já que o tema é gay), e óbvia...
O termo “mignon” vem do francês, foi datado no século VII e já queria expressar “homem que se presta à lubricidade de um outro”.
Gélzuis!
Cá, comigo, pensei: um efebo. Quis ir até à Grécia, pródiga em rapazes delicados e imperadores viris, alguns nem tanto. Distante demais. Então lembrei de Antínoo, o misterioso adolescente bitínio e o “preferido” de Adriano, o 14º Imperador de Roma, cuja vida foi magistralmente romanceada por Marguerite de Yourcenar, em “Memórias de Adriano”. Antínoo representa, com perfeição, o que “mignon” queria significar. A propósito: o jovem efebo suicidou-se. Po amor a Adriano. Úi!!!
No transcurso do século XV, certamente pelas arejantes influências do Renascimento, que esmagava a bolorenta Idade Média mandando-a para a ala mais triste e pavorosa do vasto cemitério da História, o significado_de mignon ficou mais explícito: “amante”, “favorito”, “gracioso”, “agradável”. Até ensaiarem uma vã mistura de gêneros: “pessoa jovem graciosa, galante, charmosa”. Conta-se, ainda, e isto é o mais relevante, que a origem de “mignon” estaria na palavra “minet” (gatinho) ou de um radical(miñ-) que expressava originalmente “a “gentileza”, a “graça”, ao qual teria sido acrescentado o sufixo “on”.
Quanto ao “minet”, e os mais velhos entenderão, não aconselho pesquisas no Google.
Conclusão: originalmente, o termo mignon, nada tinha a ver com “carne” bovina, mas com a humana, masculina e jovem. Portanto, um outro tipo de “gatinho”. Jovencitos, tenros e delicados, “que se prestavam à lubricidade de um outro”. Poderiam até “miar”, o que não duvido, ô, mas que eram humaníssimos, eram.
Daí, para mentes poluídas como a minha, infere-se que o “consumo” de mignon, naquela época, não estava ligado às churrasqueiras ou às cozinhas, mas ocorria à beira delas ou em suas periferias, com outros propósitos, tendo-se por certo que o apetite que sobre ele recaía estava longe de ser “gastronômico”
Mignon designava, ora pois, algo mais humano do que poderíamos imaginar. Menos carne bovina ou de outra rês qualquer.
E o filé?
Aí é que a coisa esquenta!
Também vem, claro, do francês e foi datado mais tarde, no ano 1180. Queria significar, inicialmente, “o que tem o aspecto de um fio esticado”. Ai, Gelzuis, não deixe a minha imaginação ferver! Até que, no ano 1393, a última flor do Lácio, nossa nobilíssima Lingua Portuguêsa, antes de parido o Brasil, resolveu registrá-lo como “filete”, e, pasme, já para significar “peça de carne macia, situada na região lombar dos animais”.
Repita-se: “peça de carne macia, situada na região lombar”.
Os portugueses são ótimos! E precisos.
Aí, dá para imaginar, numa interpretação absolutamente maluca, o seguinte:
Nos primórdios, “mignon”, lá na França, era apenas “gatinho”. Um bichinho graciosinho, como todos os gatinhos. Tão gracioso que emprestou sua graça para designar o que, na época, seria um rapaz com trejeitos iguais. Também amante, daqueles que serviam às paixões de um outro; e, depois, mais genericamente, jovem, novo, pequeno, tenro, agradável, numa sorte infindável de metáforas e metonímias mil; e, mais adiante, viria a ser utilizado para apelidar – creio que, para o resto dos tempos - o termo filé, que já significava “a peça de carne muito tenra que se situa na região lombar de uma rês”.
Resumo: Durante um tempo, “filé” cumpria tranquilamente sua missão significar e especificar certa parte da rês. Mas à esta parte, tão macia, nobre e especial faltava algo que lhe conferisse a devida personalidade. Um caráter existencial. Algo que, no plano da realidade, fosse compatível com seus traços, meus deuses, organolépticos. Apenas “filé” era pouco.
Quem buscou – e emplacou - o “mignon” para dar brilho e personalidade ao simples filé, mais que criatividade, tinha perfeita noção da carga simbólica que a palavra trazia nas costas (hoje, estou infame).
Moral da história? Ainda não sei.
Só sei que o filé-mignon é gay.
Em tempo, a fonte de pesquisa foi o Houaiss.
Por último, um detalhe: a carne que você encontra no varejo é de gado “macho”. Não que todos os boizinhos, sem acento e sem ipsilone, outra infâmia, sejam ou não gays, peralá! O que quero dizer é que todos trazem uma porção gay dentro de si. Valorizadíssima e universal, o corte mais conhecido no planeta.
Tão universal quanto deveria ser o direito – humaníssimo – das pessoas serem felizez, gays ou não.
É, talvez esta seja a irônica moral da História, não da “estória”.
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Ricardo
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8.4.09
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Nem sempre é o caso de um “churraaaaasco”. Pode ser uma brincadeira apenas, tipo tiragosto rapidinho, pouquinha gente e, sempre, bastante cerveja. E, sempre, bem gelada.
Uma idéia boboquinha, mas gostosa. Ou singela?
Pimentões coloridos, cebola, tomate. Um pouquinho de cada, como na foto. E pedaços de frango. Há no mercado umas sobrecoxas pequeninas, perfeitas. Mas você pode utilizar pedaços variados a coxinha da asa ou o peito. Se quiser uma variação, espete umas linguicinhas também.
O tempero do frango é mole: Apenas limão e sal fino. Ou então: limão, um shoyozinho, sal fino, alho socado e, se quiser uma ervazinha, como o alecrim. Meia-hora basta.
Só pincele com o molho depois da carne assada.
O molho, há os prontos e quem deles goste.
Mas, se você é adepto(a) de comidinhas feitas por você mesmo, faça este molhinho aqui, facinho facinho e saboroso.
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Ricardo
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31.3.09
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Marcadores: Espetinhos
Se você, como eu, é uma nulidade em outras línguas, não se faça de rogado (a). Quando viajar, cole esta tabelinha no seu inseparável roteiro de viagem e tire uma onda com os garçons que tiver de enfrentar.
| PONTOS DA CARNE | INGLÊS | ESPANHOL | FRANCÊS |
| Mal passado | Rare | Poco hecho / jugoso | Saignant |
| Ao ponto | Medium | Em su punto | À point |
| Bem passado | Well done | Bien hecho | Bien cuit |
Esta dica foi devidamente furtada do site do SIC – Serviço de Informação da Carne
Aí…continuando meu delito, encontrei esta foto no site http://www.askthemeatman.com, mostrando que os americanos utilizam 5 tipos de pontos de carnes e termos ligeiramente diferentes… Confira.
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Ricardo
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31.3.09
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Marcadores: Utilidade Publica
Talvez os mais jovens não tenham conhecido o maluquinho Uri Geller, um enrolão que enganava meio mundo entortando talheres e chaves apenas com o atrito dos dedos.
Fez um sucesso danado aqui nas nossas tv’s.
Nas mãos do poderoso, um garfo de aço se transformava num macarrão cozido.
Mas o cara entortava talheres e chaves.
Agora, para desespero dos churrasqueiros de todo o planeta, surge o “Uri Griller”, um místico chinês capaz de assar um peixe num mísero minutinho apenas com a força do pensamento. Nas mãos.
A notícia saiu hoje, 28/03/2009, no tablóide inglês “The Sun”. Se quiser conferir, clique aqui.
Quem assa peixe, assa carne.
Se a moda pega, estamos perdidos.
Um detalhe: custei a acreditar que a velha senhora chinesa da foto fosse um homem.
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Ricardo
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28.3.09
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Marcadores: Esquisitices, Inutilidades
Sei que tem gente que se arrepia só de pensar num pedacito de fígado na boca.
Muitos adoram de lamber os beiços.
Outros, como o generoso leitor Marcelo Brum, mesmo confessando não ser um fã, descobrem receitinhas espertas para torná-lo mais interessante.
Vamos ao que disse o Marcelo, na íntegra.
“Caro Ceguinho,
Muito legal o seu blog!!
Acabei de ler sobre o figado na brasa, achei legal e resolvi te passar uma receita minha que também é interessante!
O charme dessa receita está no molho!
-1 xicara de folhas de hortelã
-200 ml de azeite de oliva extra virgem
-20 ml de vinagre balsamico
-5 dentes de alho
-sal e pimenta do reino a gosto
Pique as folhas de hortelã e o alho (bem batidinho, quase uma pasta),
misture com os outros ingredientes
O figado é assado sem tempero(mal passado) e depois de cortado é só passar neste molho e saborear!
"Não sou amante de figado, mais com esse molho fica muito legal!
Forte abraço:
MARCELLO BRUM”
Obrigado, Marcelo! Volte sempre.
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Ricardo
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27.3.09
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Marcadores: Fígado
Eu, um pretenso “barata cascuda” do churrasco, volta e meia levo umas dessas palmadas deliciosas que sacodem a alma e botam a gente no devido lugar. Não doem. Adoro aprender.
Malucos-belezas são figurinhas fáceis no mundo do churrasco. Inventam coisas que até os Deuses duvidam. Mas há também magníficos exemplos de pequenas delícias criativas, nada malucas, simples e geniais, que surpreendem.
E a lição veio pelas mãos de Dona Marise, a simpática e orgulhosa mãe da adorável Daniela, uma jovem com cara e alma de felicidade, que me contratou para fazer o churrasco no seu aniversário. Na foto, claro, as duas.
Como dizem os jovens, sempre fatalistas e determinados: “É fato!” . O pimentão é um vilão para muita gente. Dele, coitado, falam o diabo.
Não tenho procuração para defendê-lo, é verdade, mas um molho à campanha sem pimentão fica meio capenguinha. Adoro pimentões.
Pois bem, Dona Marise não inventou um “novo” molho à campanha, vou logo avisando. Simplesmente arranjou um jeitinho fantástico de fazê-lo com pimentão sem obrigar, aos que dele não gostam, a comê-lo.
Mas como? É tudo picadinho!
Nem tudo.
O pimentão, não.
Só a cebola e o tomate. Aliás, ela faz do jeito ideal, bem picadinhos.
Já o pimentão ela deixa em tiras compridas, fininhas e fáceis de serem evitadas por quem não gosta, tanto quanto de serem “pescadas” e comidas por quem gosta.
Perfeito!!!
Parabéns à Dona Marise e, novamente, à Daniela pelo aniversário!
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Ricardo
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17.3.09
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Marcadores: Molhos
Aproveitando a minha falta de preguiça e, principalmente, a disposição para superar a minha burrice ou as dificuldades que o Blogger anda criando para a gente postar copiando o texto do Word - não aceita de jeito nenhum - continuo com a alcatra, a Rainha das Carnes, com fotos ilustrativas, embora, vô logo avisando, modestas...não sou fotógrafo.
Primeiro, a do aleijão criado pelo varejo: a chamada “alcatra inteira”, destas vendidas em promoções por cerca de 10 reais o quilo, pelo menos nestas duas últimas semanas.
Repare esta ponta comprida: é a maminha. Argh! Equivale em peso a cerca de 40% da alcatra, mas não é alcatra!. Observe também que a indústria não dá mole. Manda a carne suja demais. A limpeza é severa. Não é nada não é nada, 10 a 20 por cento de perda. Não que seja uma carne ruim, longe disso. Mas a perda é grande.
Por isso mesmo vale pensar na relação “custo x benefício” na hora de decidir comprar a alcatra “inteira” na promoção ou a alcatra porcionada, apenas o coração, que, embora mais caro, vem limpo e sem o contrapeso da maminha.
Na maioria das vezes, a carne porcionada, mais cara, acaba saindo mais em conta que a mais barata, novesfora a qualidade final do seu churrasco: muito melhor.
Separando os músculos:
Aqui, já temos a alcatra separada da maminha.

Agora, o ataque é para retirar o bife-do-açougueiro, a jóia mais preciosa do boi, acredite. Vem por sobre a alcatra, na companhia de outro músculo, cujo único nome que conheço é o gastronômico e em inglês: "tender-beef". É saborosíssimo. Se alguém souber do nome em Português, por favor, me diga.
Na segunda foto acima, veja que o conjunto é inicialmente descolado com a ajuda das mãos.
Retira-se a poderosa membrana que recobre o BA (bife do açougueiro)
Abaixo, uma seqüencia de incisões precisas para não ofender o conjuntinho e retirá-lo inteiro

Pronto! O conjunto de um lado e do outro.

Agora, o mais difícil: separá-los e limpá-los. Exigem toalete delicada, paciente. A retirada dessa membrana é essencial, pois, além de dura, contrai-se em reação ao calor, deixando o bife torto.
Enfim, sua majestade, o Bife-do-Açougueiro e seu consorte o tender-beef.


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Ricardo
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27.2.09
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Marcadores: Alcatra, Bife do Açougueiro, Cortes